O autismo está aumentando — ou estamos finalmente aprendendo a reconhecer melhor?
- Aline AS
- 30 de abr.
- 2 min de leitura
Nas últimas décadas, os diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista cresceram de forma expressiva. Dados internacionais do CDC apontam uma prevalência cada vez maior entre crianças, enquanto no Brasil o Censo 2022 trouxe, pela primeira vez, um retrato populacional mais amplo sobre pessoas diagnosticadas com TEA.
Mas esse crescimento precisa ser interpretado com cuidado.
Falar em aumento de prevalência não significa, automaticamente, que “mais pessoas estão se tornando autistas”. O que a literatura científica tem discutido é que vários fatores influenciam esse cenário: ampliação dos critérios diagnósticos, maior conscientização social, melhora nos instrumentos de rastreio, mais acesso à avaliação e identificação de perfis que antes passavam despercebidos.
Durante muito tempo, muitas pessoas autistas foram compreendidas de outras formas: “tímidas demais”, “difíceis”, “desatentas”, “ansiosas”, “excêntricas”, “sensíveis demais” ou simplesmente “diferentes”. Em muitos casos, especialmente em mulheres e adultos, o sofrimento existia, mas não havia uma explicação clínica adequada.
Hoje, com maior avanço científico e mais debate sobre neurodesenvolvimento, conseguimos olhar para o TEA de maneira mais ampla: não apenas pelos sinais mais evidentes da infância, mas também pelas formas sutis de manifestação ao longo da vida.
Por isso, o aumento nos diagnósticos também pode representar algo importante: pessoas que antes não eram vistas agora estão sendo reconhecidas.
E reconhecer não é rotular.
É compreender funcionamento, história, necessidades, potencialidades e formas mais adequadas de cuidado.
A avaliação neuropsicológica entra justamente nesse ponto: não para transformar uma dúvida em resposta rápida, mas para investigar com método, critério técnico e responsabilidade clínica.
Porque quando falamos de diagnóstico, não estamos falando apenas de nomear sintomas.
Estamos falando de dar sentido a uma trajetória.
Referências para embasamento: CDC/ADDM Network; IBGE/Censo Demográfico 2022; literatura científica sobre critérios diagnósticos, rastreio e identificação do TEA.
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